top of page
Marques_wu_finais1.png

Livros &
Outras Histórias

Na produção de livros, eu tenho a oportunidade de investir mais tempo na interpretação do texto, na exploração dos designs e também na fluidez narrativa das imagens. 

Minha meta é não só capturar e representar a essência do universo criado pelo escritor como também expandi-lo.

O Marquês de Rabicó

Ilustrar uma obra do Sítio do Pica-Pau Amarelo é o sonho de quase todo ilustrador infantil. E eu realizei o meu nesta linda obra "O Marquês de Rabicó" publicada em 2025 pelas Edições IDPH.

Reimaginar estes personagens tão preciosos da cultura brasileira foi uma experiência incrível.

Marques_wu_finais1.png

Os editores estiveram sempre presentes. Foi uma criação totalmente colaborativa.

​

Primeiro, decidimos que o estilo seria mais orgânico. Com texturas, tons pasteis e linhas irregulares.

​

Criamos um universo menos interferência digital, mais incerto e espontâneo, que abraça a história ambientada num sítio, longe de telas,

onde objetos ganham vida,

o real convive com a fantasia.

O design dos personagens foi a etapa mais empolgante.

 

Afinal, como fazer novos designs de personagens representados

inúmeras vezes por mais de 1 século?

 

O que eu poderia agregar com minha perspectiva e ainda mantê-los reconhecíveis?

​

Para começar, fiz um board com referências das mais diversas:

Marques_wu_finais9.png
board.png

Ele me ajudou a decidir quais características manter, quais abandonar e como incluir meu toque pessoal nas versões.

Eis algumas decisões tomadas:

Narizinho ganhou roupas mais modernas, brasileiras e condizentes com uma menina criada no sítio — blusa de alça, shortinho e chinelo de dedo.​

​

Seu cabelo é volumoso e irregular, preso por uma presilha de estrela que simboliza sua mente ativa e livre das convenções.

 

E ela é preta.

 

O Sítio, como obra do seu tempo, traz questões problemáticas, especialmente ligadas ao racismo.

Ter uma protagonista preta é uma forma de trazer representatividade atual e necessária.

Marques_wu_pers1.png
Marques_wu_pers2.png
Marques_wu_pers3.png

Emília precisava parecer uma boneca, não uma pessoa fantasiada.

 

Por isso, tirei o nariz, mudei as proporções, coloquei bochechas remendadas, sobrancelhas costuradas e pele cor de estopa, com costuras aparentes. Nos cabelos e roupas, abandonei o clássico amarelo e vermelho.

 

Para manter a conexão com as outras Emílias, apostei no que a torna inesquecível: a personalidade geniosa, marrenta e desconfiada.

Marques_wu_pers4.png

O meu Visconde de Sabugosa não é um homem vestido de espiga - ele é uma espiga.

 

Cabelos e bigode feitos de fios de milho, braços e pernas de palha, nariz de grão e, como charme final, uma pipoca fazendo as vezes de gravata.

Com Dona Benta tentei mudar o design do cabelo, mas a forma circular transmite sua personalidade maternal e acolhedora. É um abraço, um ninho. 

​

​Tia Anastácia trocou o lenço por um turbante afro, valorizando suas raízes e suavizando o estigma de serviçal.

 

Também renovei as roupas de Dona Benta, mais simples, para aproximar as duas personagens: menos hierarquia, mais amizade e cumplicidade.

Marques_wu_finais6.png

Cada detalhe foi escolhido para representar a cultura brasileira de forma afetuosa:

​

o piso de taco, a espada de São Jorge, a cadeira de nylon.

​

Minha única reclamação sobre esse projeto é que não posso fazê-lo de novo.

Marques_wu_finais14.png

Storytime Magazine

Meus trabalhos com a Storytime Magazine são sempre divertidos e desafiadores ao mesmo tempo. São histórias muito criativas, dinâmicas e com personagens cheios de carisma.

Na história "The Great Drought" os desafios eram:

1) pesquisar e fazer o design de animais australianos exóticos;
2) encaixar 13 animais nas duas duplas + texto;

3) achar uma paleta que funcionasse sendo que a maioria dos animais tem tons terrosos e está no meio do deserto.

​

Considere feito!

"The Wonderful Sheep" foi minha primeira história de capa para eles.

 

É a história de uma princesa que se aventura num reino mágico, contada em cinco duplas.
 

Escolhi fazer a princesa morena, com cabelos cacheados e tênis modernos, que 

transmitiram

sua energia inquieta.

storytime2.gif

Eu gosto de histórias curtas porque consigo espiar pela porta, conhecer novos personagens, universos, compor algumas cenas empolgantes e pronto!
Nem dá tempo de ficar entediado.
Ao contrário deste sapo.

sapo.gif

A Lebre e a Tartaruga

No meu curso da Doméstika, propus este projeto: contar uma história clássica porém criando sua própria versão, com sua perspectiva e personalidade.

A história escolhida é a fábula A Tartaruga e a Lebre, de Esopo. E como fiz dela uma versão autoral? Transformei em uma Drag Race Extravaganza!

lebre3.png

 Começo meu processo criativo descobrindo como posso contribuir

para a história através do meu estilo artístico.

​

E por "estilo artístico" me refiro não só aos desenhos mas também às ideias e conceitos que eles vão expressar.

​

Incluí a cultura queer com as dragqueens, o humor usando muitos trocadilhos e minha nacionalidade através da fauna e culinária.

lebre1.png
lebre2.png
lebre_refs1.png

Daí vejo como outros artistas já trabalharam a mesma história. Assim garanto se estou trazendo alguma novidade para o universo.

​

Então, parto para a pesquisa

de fotos e ilustrações para elaborar o design dos personagens. Tanto para inspirar quanto para evitar

fazer algo muito próximo do que já existe,

Agora pronto para

o design dos personagens principais.

​

Só o suficiente para ter uma forma geral. Assim sei os volumes que eles ocupam na composição.

design1.jpg
design2.jpg

Os thumbnails!

thumbs.png

Os próximos passos são:
 
1) pesquisar mais;
2) refinar os rascunhos;
3) colorir.

processo.gif

Para compor o júri, escolhi animais que bem representam nossa fauna: um sagüi, um pintado e nosso amado vira-lata caramelo ❤️.

​

The Mirror, the Carpet
and the Lemon

"The Mirror, the Carpet and the Lemon" é um livro ilustrado publicado pela editora Edebê que narra um conto popular do Oriente-Médio.

O que mais gostei nesse projeto foi ter restringido o foco da minha pesquisa, o que enriqueceu muito as decisões de design.

MirrorCarpetLemon_6.png

A história não é do folclore de nenhum país específico.

 

Porém, eu não queria representar uma versão genérica do Oriente Médio.

​

Sugeri então focarmos a pesquisa na cultura persa, já que a região é citada no começo do texto.

 

A editora topou e foi ótimo!

 

A cultura persa me inspirou tanto com sua arquitetura, moda e traços étnicos quanto com sua própria arte, que usei como referência para a natureza, estampas e azulejos.​

​

Gosto de dedicar alguns dias apenas para a pesquisa. Isso enriquece muito as ilustrações! É mais que apenas contar uma história - é retratar um pedaço de toda uma cultura.

 

Aqui estão alguns boards:

Para a cena onde aparecem príncipes

do mundo inteiro

escolhi várias representações

de realeza para além

da clássica europeia.

 

Para a dupla final,

me inspirei em uma pintura épica de um casamento tradicional persa.

​

Fiz algumas adaptações

para ainda ficar reconhecível como um casamento atual

mas mantive alguns elementos bem característicos,

como os trajes.

sultao.gif
bottom of page